Life

Vamos falar de mídia?

Gente, essa chamada nunca foi tão incrível no jornalismo:capturar

A divisão de economia do Estadão fez um texto super comovente falando como a Globo foi injusta em não comunicar a morte do ator Domingos Montagner em um especial de várias edições em sua pauta de jornalismo.

E ainda a comparou à parada de sua programação para televisionar todo o causo sobre a morte do Cristiano Araújo.

Minha reação ao ler essa matéria.
Minha reação ao ler essa matéria.

Agora pergunto: vocês já ouviram falar sobre marketing sensacionalista?

Marketing sensacionalista é a arte milenar de basicamente ganhar dinheiro em cima da desgraça alheia. As mortes televisionadas, acidentes colocados em pauta em diversas formas, teorias de conspiração, mensagens psicografadas de pessoas do além. Tudo isso gera dinheiro, meus amigos.

Meu TCC da faculdade foi sobre Marilyn Monroe, e foi aí que tive meu primeiro contato com a tal mídia e marketing sensacionalista. A atriz foi encontrada morta com suspeita de suposto suicídio. Pronto. Mil jornais, mil revistas e livros foram produzidos em cima disso. A quantidade de materiais feitos sobre a morte da Marilyn e pós morte dela é alarmante perto do material dela em vida. As pessoas se comovem com isso, elas tem a falsa impressão de que saber tudo sobre alguém que morreu as aproxima da solidariedade com o próximo. Quem ganha clicks e muito dinheiro da sua amostra grátis de solidariedade, não.

Não se enganem. Nenhum programa nem pauta é escrita com muita ênfase na morte de alguém porque o veículo é fofo <3. É porque dá dinheiro. Seja honesto: você sabia quem era Domingos Montagner até o momento? Você sabia de sua carreira? Você lembrava que ele já fez outra novela de horário nobre? Lógico que não. Na hora da notícia, eu me preocupei com uma amiga com o sobrenome em comum ao dele e entrei em contato com ela.

Veículo que se importa manda coroa de flores à família, faz uma vinheta ou documentário em homenagem póstuma. Veículo que quer dinheiro em cima do assunto do momento faz pauta.

As fotos de corpos, vídeos de acidente e artigos de especulações são valiosas aos veículos importantes, não importa a ética, não importa o grau de comoção. Importa quanto dinheiro você vai fazer com aquilo.

Afinal, a matéria do Estadão está em que parte do site? Economia.

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Esse é o gráfico de Google Trends do Brasil hoje. Para quem não conhece, são as buscas mais feitas por região, mostrada em gráficos pelo próprio Google.

Infelizmente, as chamadas “pautas de morte” ficam prontas. A cada vez que alguma figura pública é internada repentinamente, sofre acidente, ou alguma situação temporária que coloque sua vida em risco é feito um levantamento sobre os maiores feitos dela em vida e isso é uma pauta de morte.

Não morreu, não publica. Simples.

Existem redatores, designers, programadores de plantão em cada veículo para fazer um trabalho urgente com imagens e infográficos para comunicar os furos das notícias. Isso é a realidade.

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Resultados de busca no Google

A Forbes mesmo anualmente faz um levantamento das celebridades mortas que mais ganham dinheiro:

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A Globo, redes de televisão, rádio, notícias, portais não tem sentimentos nem nunca tiveram. Pessoas tem sentimentos.

Parem de achar que tudo o que vocês leem como “notícia” tem sentimento.

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