Life

Os 13 porquês que machucam

Meu primeiro contato com morte foi aos 6 anos. Minha tia tirou a própria vida na noite de uma festa de família. Ela sumiu, ninguém sabia, ninguém a achava, aproveitou de um momento (mais um) dos quais foi invisível e partiu. Partiu da vida, partiu da dor, da frustração, de 39 anos de idade que para ela não faziam mais sentido e escolheu os abandonar. Nos abandonar.

Ela morreu afogada. Foi encontrada no dia seguinte no rio da cidade. BO, Polícia, pericia, autópsia, reconhecimento, velório com caixão lacrado, sepultamento. Em dois dias minha vida mudou completamente, aos 6 anos de idade.

Minha família nunca foi de “mascarar” morte pra mim. Morreu, morreu. Vai ser enterrada, não volta mais.

O peso que pairou pela família por anos nunca passou. Minha tia era muito querida pra mim. Eu era a neta e prima excluída, segregada por morar longe que gostava de brincar de costurar no sofá vendo televisão, enquanto meus primos mais velhos iam brincar e correr na rua sem mim.

Ela brincava comigo, não se desfazia de mim, me entendia, como era ser excluída.

Uma condição de saúde desenvolvida na infância a fez ter uma vida quase isolada socialmente. Enquanto suas irmãs tiveram infância e adolescência indo às festas e bares, ela ficava em casa, “não podia sair”.

Não só essa condição a privava de sair como também a segregou em casa, era a problemática, a especial.

Um belo dia ela saiu, mas não pra viver sua vida, e sim para acabar com a dor. Nada naquele momento foi maior pra ela, nenhum pensamento a parou, o caminho sem volta que a tirou desse mundo pra sempre.

Eu chorei, chorei muito. Não tinha mais graça pra mim visitar a família. As pessoas não se uniam mais, o quarto dela me assombrava, tudo me lembrava ela, foram anos de dor sobre dor ali.

A casa era fria, as paredes me incomodavam.

Mal sabia que esse seria só o primeiro da minha vida. Outros 3 conhecidos meus acabaram com suas vidas nos últimos 6 anos.

Um vizinho, um colega de trabalho, um colega de faculdade.

Quando uma serie é feita sobre isso, espera-se conforto. Espera-se conscientização, espera-se justamente uma esperança pra quem não a tem mais.

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Hannah, a protagonista da série.

13 reasons why machuca, não dá saída a quem passa por isso, nem à Hannah, só a dor. A dor pra quem viveu relembrar, e pra quem tem dor, detalhes de como a terminar em um suicídio. (Pra quem assistiu, dois).

A vida é breve. Quando se quer acabar com ela, não há conforto, não há paz. Quem vai quer acabar com a dor, quem fica, dói pra sempre.

Você sempre tem que ser a melhor pessoa pra si mesmo, te amar e sempre querer o melhor pra si – e para os outros.

Atos e palavras tem consequências, consciência, e sentimentos.

Se ame, cuide de quem você ama, ame quem te cuida.

Para ajuda imediata, disque 144, o CVV presta serviço integralmente.

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TEM que melhorar.
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